A Importante Métrica para Investidores na B3 Antes de Adquirir Ações

A Importante Métrica para Investidores na B3 Antes de Adquirir Ações

No mercado financeiro, poucas métricas têm a abrangência do Enterprise Value (EV), ou "valor da firma". 

Essa métrica integra o capital próprio, a dívida líquida e a participação de acionistas minoritários para fornecer uma visão completa do valor total de uma empresa.

Um levantamento recente sobre a evolução do EV nas empresas da B3 entre 2019 e 2025 revela mudanças estruturais significativas – tanto no peso relativo dos seus componentes quanto nas dinâmicas que moldam o mercado. — Especialista em Mercado Financeiro

Transformações na Estrutura Financeira da B3

Em 2019, o valor de mercado das ações das empresas na B3 constituía 81,8% do EV total. 

Esse percentual diminuiu para 65,2% em 2025, destacando uma queda contínua ao longo dos anos. 

Ao mesmo tempo, a participação da dívida líquida e dos acionistas minoritários subiu de 18,2% para 34,8%. 

Mesmo com o EV total das empresas mantendo-se estável em R$ 3,5 trilhões desde 2021, sua composição interna sofreu mudanças notáveis.

Se, em 2019, o mercado precificava as companhias majoritariamente pelo seu valor em ações, em 2025, o retrato inclui uma dose muito maior de alavancagem financeira e aportes de minoritários. — Analista de Investimentos

Fatores Contribuintes e Desafios

A diminuição do peso do valor de mercado no EV não ocorre de forma isolada, mas é o reflexo de fatores interligados:

  1. Desvalorização das ações devido à baixa confiança dos investidores diante de incertezas econômicas;
  2. Aumento da dívida líquida, já que as empresas buscam financiamento externo para sustentar operações;
  3. Um cenário macroeconômico adverso, com juros altos e crescimento econômico limitado.

Esses fatores tornam as empresas brasileiras menos atrativas, aumentando a percepção de risco e afastando capitais que buscam solidez financeira.

Avaliando Riscos e Prospectos Futuros

Essa mudança no EV total ilumina questões cruciais: empresas mais alavancadas são vulneráveis em cenários de juros elevados, enquanto aquelas com equilíbrio saudável entre dívida e capital próprio emergem como apostas de longo prazo mais sólidas.

Diferenciar esses perfis pode ser decisivo para o crescimento ou a estagnação. 

Uma dependência crescente de dívida exige que as companhias reavaliem suas estruturas de capital, promovendo uma narrativa de crescimento sustentável que os investidores valorizam.

O Enterprise Value não reflete só o presente, mas também nos mostra o futuro – melhor dizendo, o que nós precisamos fazer hoje para garantir que esse futuro seja próspero. — Consultor Econômico

Para as empresas da B3, recuperar o protagonismo do valor de mercado no EV depende de restaurar a confiança dos investidores e de um ambiente econômico mais previsível.

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

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